A Supervalorização do Quase

Uma das armadilhas mais comuns do Marketing Multinível tem a ver com a “Lei da Tampa”, de John Maxwell, que leva pessoas engajadas a limitarem seus grupos por conta de suas crenças limitantes.

Por não acreditarem na própria capacidade de alcançarem algumas metas, essas pessoas começam a sabotá-las coletivamente, como se todos da sua equipe fossem igualmente incapazes de alcançá-las.

Por exemplo, é comum que uma pessoa em dificuldade financeira considere “caro” um kit de produtos maior, pois isso está um pouco fora da sua realidade atual. Então, mesmo quando cadastra uma pessoa em melhores condições, promove apenas o de menor valor.

Isso também acontece quando o consultor engajado leva muito tempo para avançar um nível. Inconscientemente, ele começa a acreditar que é normal demorar demais e duplica esse mesmo sentimento em sua equipe.

Nos dois casos, a “tampa” está somente em sua limitação ou situação individual, mas se propaga para toda a rede em função do seu nível de engajamento e influência sobre os demais.

Um sintoma clássico deste mal é o que chamo da “Supervalorização do Quase”, quando os consultores de uma rede começam a reconhecer exageradamente qualquer pessoa, mesmo que não haja motivo. Começam a chamar convidado de “Diamante”, cadastrado de “grande líder”, consultor inativo de “parceiro estratégico”…

A consequência disso é uma espiral negativa, que afasta rapidamente os melhores contatos. Afinal, qualquer pessoa produtiva sente-se incomodada em um ambiente assim.

Um consultor comprometido não quer receber o mesmo reconhecimento de alguém que fica sempre no “quase”. Um verdadeiro líder não quer dividir o palco com um “especialista em desculpas”.

Nunca perca de vista que a meritocracia é a única maneira de atrair e manter bons talentos, em qualquer organização.

Caso você tenha caído nessa armadilha, não se desespere. Saiba que eu também já caí e vejo muita gente boa derrapando nessa curva por aí, o tempo todo.

Para sair da espiral negativa, são apenas 4 passos:

1. Reconheça que não tem sido um bom exemplo e pare imediatamente de querer duplicar o que você pensa ser o certo;

2. Identifique na sua liderança quem realmente é um bom exemplo (com os resultados que você deseja) e promova que o seu time a escute cada vez mais;

3. Saia da evidência temporariamente, para que possa se recuperar, aprendendo a fazer o que é certo (seja menos engajado no time enquanto não atingir suas próprias metas);

4. Desafie-se a fazer o que tem que ser feito para ser exemplo de verdade (resultados).

Lembro de uma frase de Jim Rohn que explica tudo isso com sua sabedoria única: “Vá para onde as expectativas e demandas para gerar resultados são altas.”