Negociatas mancham o setor

Luvas milionárias, bônus garantido, estoque de produtos consignado, concessão de franquia, posição qualificada, vale tudo para algumas empresas recrutarem “líderes” prontos e arrastarem redes inteiras, em uma estratégia de assalto ao mercado, onde apenas os cabeças recebem privilégios para mudarem de bandeira e a maioria é manipulada sem saber o que está acontecendo.

Infelizmente, esta é uma prática cada vez mais comum, que tem manchado o setor de Vendas Diretas, transformando relacionamentos, sonhos, sentimentos e palavras em mercadorias.

Qual o limite da concorrência?

A disputa entre empresas é legítima e contribui com o amadurecimento do mercado, quando se baseia no diferencial de produtos, plano de negócios, gestão comercial e outras variáveis públicas, com ofertas acessíveis a todos e em iguais condições. Porém, quando o jogo sujo dos esquemas secretos induz migrações e cria qualificações de modo artificial, o que realmente acontece não é marketing, mas golpismo.

Sabemos que a ética nos negócios é relativa e que o dinheiro é capaz de comprar quase tudo, porém, quando se fala em liderança, a mentira não é sustentável.

Quantas pessoas trocam o certo pelo duvidoso, sendo induzidas a comprarem novos kits e recomeçarem o trabalho do zero, sem saberem que seus “líderes” estão levando vantagens por isso?

Quantos são chantageados e ameaçados neste processo?

Autoridade x Oportunismo

Liderança é um termo bastante amplo, que pode ser interpretado de mil maneiras diferentes.

Um bom comunicador pode ser considerado líder, na medida em que consegue mobilizar um grande número de pessoas, mas qual é a sua real motivação? Qual é o resultado efetivo das suas atitudes? Construção ou destruição?

Neste negócio, ser um bom líder é contar mentiras com eloquência e convencer os outros a embarcarem em uma canoa furada, ou vender e patrocinar com responsabilidade, ensinando as habilidades necessárias para o sucesso sustentável?

Quando um líder sobe ao palco e é reconhecido, sua história de sucesso serve de inspiração para que todos os convidados sintam vontade de trilhar o mesmo caminho, mas será que ele realmente conta a verdade?

Como seria se dissesse:

“Eu construí minha rede em outra empresa, mas recebi uma bolada para falar mal dela e trazer todo mundo pra cá.”

Ou então:

“Bati essa qualificação em tempo recorde porque entrei em uma posição que já produzia um milhão de pontos por mês. Aliás, entrei acima de você, que há dois anos trabalha duro e segue a regra oficial do negócio. Agora você é meu downline e está me rendendo um bom dinheiro. Obrigado!”

“Por que você não abre uma franquia para ajudar a empresa na distribuição dos nossos produtos? É um excelente negócio. Você só precisa investir R$ 200 mil em estoque para começar. No meu caso, eu consegui tudo em consignação e ainda recebo uma mesada de R$ 20 mil por mês para não correr risco, mas você é guerreiro e vai conseguir operar no azul rapidinho.”

“Hoje eu falo que essa é a melhor empresa do mundo, mas na verdade estou só esperando surgir outra oportunidade para vender meu passe de novo, incluindo você e seus downlines no pacote. E se você não quiser vir, vai perder sua rede.”

“Eu sei que essa empresa não vai durar muito, mas ganharei uma fortuna com os kits de entrada e depois pensarei no que fazer.”

“Na verdade, eu não sei construir nada. Minha estratégia se baseia em tirar redes da concorrência contando essas mentiras.”

Dois pesos e duas medidas

Quem se cadastra em uma empresa de Venda Direta Multinível acredita que tem as mesmas condições e oportunidades, além de contar com o apoio de pessoas que já tiveram resultados.

A grande promessa que fazemos, e que nos diferencia do mercado tradicional, é a possibilidade de pessoas comuns seguirem um padrão de sucesso comprovado, porém, tudo isso cai por terra quando se tem dois pesos e duas medidas.

Qual é o sentido de entrar em um negócio de cartas marcadas, onde alguns têm o caminho facilitado e a maioria é levada a acreditar nessas mentiras?

Como duplicar sucesso a partir de um padrão desigual?

Quando a esmola é demais, o santo desconfia…

Não existe facilidade para todos. O que existem são interesses de alguns em promoverem esta facilidade exagerada, em troca de vantagens particulares e induplicáveis.

Este é um vício piramidal que, infelizmente, ainda nos acompanhará por muito tempo.