Minha História Por Trás da História

Em 20 de maio de 2004, dei entrada no meu quarto contrato de Distribuidor Independente da Herbalife, com a sensação de que seria apenas mais uma oportunidade de adquirir materiais atualizados e acessar conteúdos para as minhas pesquisas.

Desde 1995, quando a empresa iniciou suas operações no País, eu interagia com seus executivos, líderes e acompanhava de perto cada movimento porque sabia da sua história como uma das melhores e mais controversas empresas de Marketing Multinível do mundo.

A HONRA DE CONHECER MARK HUGHES

Em junho de 1997, na condição de editor do Jornal Estágio 10, a primeira publicação periódica sobre Marketing de Rede da América Latina, fui convidado pelo diretor José Augusto Rodrigues a participar de uma Extravaganza (Convenção Nacional da Herbalife) no Rio de Janeiro. Na ocasião, eu teria a oportunidade de entrevistar seu fundador Mark Hughes, que considero o maior líder de Vendas Diretas de todos os tempos (uma mistura equilibrada de Dexter Yager e Mary Kay Ash).

Mark não costumava dar entrevistas porque a Herbalife vinha sendo atacada publicamente por sua “fórmula mágica de emagrecimento” e pelas “táticas agressivas de marketing” que a levaram a se tornar a empresa de Marketing Multinível de mais rápido crescimento na história (até aquele momento). Segundo a assessora de imprensa que nos acompanhou, a mídia sensacionalista sempre distorcia suas falas e que ele aceitara falar para o Jornal Estágio 10 por ser “uma das raras publicações que compreende e valoriza o empreendedorismo”.

Nos anos seguintes, a Herbalife tornou-se a maior empresa de Marketing Multinível no Brasil e eu me cadastrei algumas vezes e em diferentes linhas de patrocínio, para tentar entender aquele fenômeno empresarial. Fui das redes dos Presidentes Jaime Kosman, Marcelo Kikuti e do Antonio Jorge, mas não indiquei ninguém, pois acreditava que precisava disso para desenvolver minha carreira como consultor, treinador e escritor.

A REVOLUÇÃO DO MULTINÍVEL NO BRASIL

Em maio de 2000, Mark faleceu e a Herbalife passou por um de seus maiores desafios.

Não é fácil para qualquer empresa perder seu maior líder, ainda mais alguém tão apaixonante como Mark Hughes, mas ele realmente deixou um legado. Apesar de sofrer baixas relevantes em sua base de distribuidores, Jim Rohn e os principais líderes mantiveram o coração da companhia batendo por alguns anos, até a chegada de Michael Johnson, em 2003.

Executivo de sucesso na Disney, entusiasta da atividade física e do entretenimento, Michael iniciou uma verdadeira revolução no negócio, liderando o reposicionamento global da Herbalife como empresa de nutrição e bem-estar. Contratou médicos, agências de comunicação, montou laboratórios, atualizou marcas, substituiu executivos em diversos mercados, modernizou o modelo comercial e resolveu tirar a companhia daquela sombra de desconfiança, investindo fortemente em mídia.

Regionalmente, uma de suas ações mais certeiras foi a contratação da Eneida Bini, ex-Avon, reconhecida publicamente como uma das melhores Executivas do Brasil. Anunciada em maio de 2004, esta mudança de comando gerou uma repercussão ampla e imediata.

Logo após o anúncio público de sua contratação, recebi uma ligação da assessoria de imprensa da Herbalife, dizendo que ela queria me conhecer para entender melhor o modelo de Marketing Multinível e como se desenvolvia no mercado brasileiro, seu desgaste de imagem etc. Durante aquele almoço com a Eneida, percebi que presenciava um divisor de águas na história do setor de Vendas Diretas no País. O Marketing Multinível seria, pela primeira vez, respeitado e tratado como protagonista.

Além de resgatar a autoestima de todos os distribuidores e iniciar um novo ciclo de crescimento para a Herbalife, Eneida era muito respeitada pelo sucesso alcançado na Avon e causaria também uma revolução dentro da ABEVD – Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (até então, muito fechada para o MMN).

Para acompanhar tudo mais de perto, resolvi então tirar a poeira de um kit da Herbalife que estava guardado no meu depósito (um ano antes, em março de 2003, o Antonio Jorge havia me dado esse kit como presente de casamento, em mais uma de suas inúmeras tentativas de me seduzir para o negócio).

MULTIPLICANDO BEM-ESTAR

A vida é mesmo surpreendente. Quando assinei aquele quarto contrato com a Herbalife, não tinha a menor de que seria também o início de um dos capítulos mais fantásticos da minha existência.

Agradeço pela perseverança do AJ, que passou os meses seguintes insistindo para que eu indicasse algumas pessoas e aproveitasse aquele momento único.

Não sei quando mordi uma de suas iscas, mas confesso que o objetivo inicial era apenas me livrar do seu acompanhamento insuportável (quem conheceu o AJ nessa época, sabe do que estou falando). Imaginei que comprando alguns produtos e indicando meia-dúzia de pessoas ele se ocuparia por um tempo e me esqueceria.

A tática de ocupá-lo funcionou bem por alguns meses, até chegar o primeiro cheque na minha casa. Descobri que dois indicados diretos estavam desenvolvendo o negócio, com redes se espalhando por São Paulo e Rio de Janeiro. Então, tive que aturar suas costumeiras provocações para eu me decidir entre a vida de escritor e líder.

Apesar de conhecer bem o AJ desde 1997 e também ser assediado por outros grandes líderes há muitos anos, esta foi realmente a primeira vez eu me vi confuso, tentado a virar a chave.

Como editor do portal Chance Network, eu fornecia treinamentos e consultoria para outras empresas de Vendas Diretas. Participava dos Comitês de Comunicação, Relações Acadêmicas e Marketing Multinível da ABEVD (criado após uma pressão feita pela própria Eneida na época, que ameaçou deixar a Associação se a Herbalife e outras empresas de Multinível não tivessem voz), ou seja, tinha conforto, reconhecimento e sucesso relativos, porém sem qualquer comparação com o que se pode conquistar como líder.

Vivendo esse dilema entre realização pessoal e qualidade de vida, decidi escrever um novo livro, pegando carona no que o Paul Zane Pilzer falava sobre a “Indústria do Bem-Estar”. Era visível que as pessoas se preocupavam cada vez mais com a saúde, buscando alimentação mais leve, atividade física e equilíbrio, mas alguém precisava detalhar melhor o impacto disso através das Vendas Diretas.

Escrito em menos de um mês, “Multiplicando Bem-Estar” foi lançado no final de 2005 e rapidamente tornou-se best-seller. Passei um ano viajando pelo Brasil, fazendo palestras para diversas empresas do setor (Tahitian Noni, Inspiração, Nu Skin, Caixa Rápido, Perfam, Balsamo etc). Apesar do livro ter sido muito influenciado pelo que eu via acontecer com a Herbalife, todas as outras empresas se identificaram com aquela mensagem.

Participando de tantos treinamentos de empresas diferentes, era impossível não reconhecer o diferencial da “Escola” de Mark Hughes e Jim Rohn. O nível de profissionalismo e engajamento dos seus distribuidores era algo único, incomparável. Eu precisava entender como aquilo funcionava por dentro.

A DECISÃO DE INVESTIR A ALMA

Admirado, curioso e cadastrado eu já estava há mais de dois anos, porém ainda faltava um empurrão para mergulhar de vez na Herbalife.

Aconteceu em meados de 2006, quando a comunidade do portal Chance Network, que eu mantinha com muito esforço e pouco retorno, foi invadida por uma enxurrada de oportunistas, defensores de esquemas fraudulentos e promíscuos. Promoviam negócios como TelExtreme, DiskÀVontade e outros planos de serviços vazios, que poluiam nossos fóruns e me obrigavam a dedicar muito tempo à moderação.

Eu precisava contratar funcionários para me ajudarem a cuidar do operacional, mas financeiramente o negócio não se pagava. Então, comecei a adotar medidas impopulares, como restringir os fóruns apenas aos profissionais de empresas filiadas à ABEVD e proibir anúncios de outras oportunidades “mais modernas”.

Na medida em que eu limitava o acesso e questionava publicamente aquela conduta irresponsável, comecei a receber críticas cada vez mais agressivas por ser “teórico”, não ter tanta experiência prática ou resultados que atestassem o meu conhecimento de causa.

Então, o estresse de não encontrar uma saída, nem receber o apoio que esperava dos líderes das empresas legítimas, me fizeram entender que estava na hora de buscar meu próprio caminho. Em outubro de 2006, anunciei publicamente que faria rede na Herbalife e coloquei o portal Chance Network à venda.

A maneira como fiz isso é um dos poucos arrependimentos que tive na vida, pois a intenção nunca foi vendê-lo, muito menos abandonar a missão pessoal de apoiar todo o mercado. Aliás, nem cheguei a responder as ofertas que recebi na época, pois sabia que os interessados só queriam o mailing de assinantes. No íntimo, eu acreditava que ganharia o suficiente com a Herbalife para retomar meus projetos neutros nos anos seguintes.

Aquela mensagem pegou o mercado de surpresa, gerando todo tipo de reação. A maioria dos líderes das outras empresas começaram imediatamente a me criticar, como já era esperado. Fui acolhido pelos líderes da Herbalife mais próximos, que conheciam o meu trabalho, mas também comecei a provar do veneno daqueles que sempre me viram como ameaça.

No próximo artigo, vou revelar algumas histórias inéditas de bastidores, compartilhando o que aprendi convivendo com grandes mestres, meus desafios, erros e acertos, dentro de uma das melhores empresas de Marketing Multinível do mundo.

(Continua)

OBS: Em janeiro de 2018, abri mão da minha posição como Supervisor e membro da Equipe de Milionários da Herbalife, com sentimento de gratidão por tudo o que vivi (ver mais).